A utopia e a obra de Jan Antonin Bata

A Republica Tcheca presente no Brasil. A historia e passados da Familia Bata no territorio Brasileiro. As benfeitorias de quem tinha valor humanitario. 





Projeto de uma cidade em 1937 e sua estadia em Batayporã (MS) nos anos 1950

Quem foi Jan Antonin Bata

"A vida é uma sucessão de experiências que sempre trazem aprendizado. Nessa marcha de altos e baixos quando chegamos ao fim do caminho quase sempre cansados, esquecemos de prestar atenção doque está sendo deixado para a posteridade. É assim que a maioria das pessoas passa pela vida deixando quase nada. Perde tanto tempo como se fosse pródigo nele... como é importante o tempo ... quem é que sabe quando o caminho vai terminar? Eu conheci um homem para quem a vida foi o mais fantástico campo de trabalho, possibilidades, realizações e provas. Um dia perguntaram a esse homem, admirando o seu trabalho:

- Como, então Dr. Bata, o sr. constrói impérios ?.
-Não – respondeu Jan - ... eu construo homens. 

Jan Antonín Bata nasceu em Uherské Hradiste no dia 07 de março de 1898 na região tcheca da Morávia. Seus pais Antonín Bata e Ludmila eram viúvos quando se casaram. Ele trouxe para o segundo casamento tres filhos – Tomas, Ana e Antonín. Ela, um filho de nome Josef. Dos filhos que o casal Antonín e Ludmila tiveram, os cinco que sobreviveram chamavam-se Leopoldo, Jindrich, Bohus, Jan Antonín e Maria.

Tendo ficado órfão de pai aos oito anos, é educado em Zlín com os outros irmãos pelo meio irmão Tomas, 22 anos mais velho, já um próspero fabricante de calçados. Os meninos estudam e aprendem o ofício de sapateiros, na família desde 1576.

Aos 12 anos o jovem Jan já exerce algumas atividades na fábrica , aprendendo e se interessando por tudo. Aos 17 é enviado a Alemanha para se empregar em algumas firmas, também de calçados, observar tudo o que pudesse aprender ganhando assim maior experiência. Ao voltar para Zlín seu treinamento se intensifica.

Após a 1ª. Guerra Mundial , Jan viaja para os Estados Unidos com a missão de abrir uma filial de manufatura de calçados em Lyn no Estado de Massachussets . Em 1920 volta para a Tchecoslováquia e casa-se com Marie Gerbecová, filha de um médico, dileto amigo de Tomás. Desse casamento nascem cinco filhos Jena, Ludmila, Edita , Jan Tomás e Maria. É após o nascimento da filha Edita em 1925 que Jan Antonín conhece pela primeira vez o Brasil, e se encanta com o povo brasileiro.

De volta a Zlín, já é há algum tempo o braço direito do irmão Tomás a quem admira profundamente; os anos que se seguem são de muito labor e disciplina na paciente construção de um sistema empresarial inédito nascido e elaborado pelo gênio empresarial de Tomás Bata, que ainda, durante sua vida, foi aperfeiçoado juntamente com outro gênio, seu irmão Jan Antonín. Em 1929 ocorre a grande crise de Wallstreet, a quebra da bolsa de Nova York, quando o sistema financeiro mundial entra em colapso, mas Zlín escapa ilesa. É uma ilha de prosperidade no mar de náufragos e desemprego. A tese de Jan fica provada: - “Dinheiro é feito para trabalhar, ser investido em produção e não em especulação“. 
Após a morte de Tomás, ocorrida no trágico acidente de aviação em 12 de julho de 1932, Jan cumpre a vontade expressa de Tomás Bata, e assume a propriedade e o comando de todas as empresas tchecas e no exterior.

Dedica a vida na ampliação do empreendimento pelo mundo desenvolvendo tecnologias revolucionárias e calçando cidadãos de 89 países .

Dentro da filosofia que foi educado desde menino , revoluciona as relações entre capital e trabalho numa antecipação de décadas às conquistas mais espetaculares que qualquer conjunto de trabalhadores tinha conseguido alcançar em qualquer parte do mundo. Jan Antonín transforma a empresa, fundada e criada pelo irmão Tomás Bata, no maior complexo industrial de calçados do planeta.

Nos países onde se instalam as empresas Bata usa-se um sistema que investe no homem para desenvolvê-lo dentro de seu potencial maior, tornando-o auto suficiente. Os resultados de sucesso florescem tanto que começam a despertar preocupação nos concorrentes , cujo sistema capitalista, corrente no mundo ocidental, é a exploração do homem pelo homem.

Em Zlín, ao contrário, o trabalho visa o bem estar de todos e não apenas o de alguns. Há motivação, um sentimento de responsabilidade, seriedade e devotamento norteia a todos perpassando escritórios administrativos, oficinas, secções de manufatura, engenharia, construção, mecânica, tecnologia e todos os segmentos de serviços em uníssono. Todos são e se sentem parte de uma grande força empresarial sem par no mundo daquela época. As necessidades da educação, saúde e previdência são atendidas.

Os empregados, chamados de COLABORADORES, são incentivados a investir uma parte dos seus salários na empresa. No fim do ano dividendos são distribuídos, 7% aos diretores e 10% aos colaboradores. A pauta de reivindicação dos sindicatos de operários se materializa nas empresas Bata . 
Jan Bata constrói um Instituto Tecnológico que é uma espécie de universidade popular na qual operários são instruídos em diversas modalidades durante doze horas semanais. Trabalham em seus quadros cientistas de diversas especialidades desevolvendo projetos e fazendo descobertas enquanto que para os quadros do hospital de Zlín especialistas procedentes de toda a Europa são convidados e integram seus quadros.

Numa época onde o socialismo e as leis trabalhistas ganham espaços cada vez maiores como conquista das classes trabalhadoras frente ao capitalismo selvagem ocidental, no sistema empresarial Bata são completamente insignificantes e inócuas porque de há muito foram superadas.

A matriz continua crescendo. Já são 128 prédios e 45.000 trabalhadores. Em 1936 é construído o prédio da Administração com 12 andares, um primor de arquitetura e tecnologia. É o mais alto prédio da República. Para agilizar o tempo, Jan Bata coloca a sua sala de trabalho dentro de um elevador especialmente projetado para visitar todos os andares da administração de forma a otimizar o tempo de todos.

Durante a invasão da Tchecoslováquia pelos nazistas Jan Bata usa sua inteligência e o comando da Organização para salvar a vida de centenas de seus colaboradores judeus e suas familias, criando uma empresa de exportação de nome KOTVA e cursos especiais que os treina para exercer cargos em diversos países no mundo . Além de transferir maquinário, recursos, matérias primas e até fábricas inteiras, sob as barbas de Hitler e seus comandados, consegue fazer emigrar seus trabalhadores de origem judaica.

Durante a segunda Guerra Mundial, Jan Bata contribui substancialmente para o esforço de guerra aliado. Sustenta o governo tcheco no exílio em Londres e compra dois aviões "Spit fayer“ para que os pilotos tchecos lotados na Real Força Aérea Britanica pudessem voar em aviões próprios para derrotar o inimigo nazista. Mas apesar de tudo isso os planos e a vida de Jan Antonín Bata e sua família sofrem um enorme mudança .

Ele não sabe que uma vasta teia de paixões humanas começa a urdir nas sombras o seu destino, atingindo-o numa sucessão de golpes mortais .

Em 1941 muda-se com a família para o Brasil e leva um choque ao ser informado que apesar de ter contribuido substancialmente no esforço de guerra pró causa aliada , seu nome é colocado , pelos norte-americanos com respaldo dos ingleses na chamada "lista negra“. Era esse o nome dado a uma relação de pessoas e empresas que supostamente pactuavam com o inimigo. Perplexo diante de tamanha infâmia, quer saber o porque . Somente alguns anos depois se descobre que a ação dos trustes internacionais, reforçada pela ação criminosa de seus governos, viu nos meandros da guerra uma oportunidade de ouro para destruír a concorrência comercial que a gigantesca Bata SA, 6ª. potencia econômica no planeta representava.

O segundo golpe vem logo em 1945 quando a Bata SA em Zlín e todas as empresas de Jan, na Tchecoslováquia, são nacionalizadas após a guerra , sem qualquer indenização.

Em 1947 Jan Bata é acusado perante o Tribunal Nacional de Praga de 64 crimes contra a nação e sua extradição é pedida ao Brasil . Antes do prazo é naturalizado brasileiro por interesse nacional através de decreto assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra.

No julgamento é absolvido de todas as acusações, sendo condenado pela 65ª. acusação que não constava do processo à época de sua abertura. De um processo irregular , eivado de nulidades , é exarada a sentença definitiva : Quinze anos de trabalhos forçados e o confisco de todos os bens .

O Itamaraty recebe um relatório assinado pelo embaixador brasileiro Décio Coimbra, que tendo acompanhado o julgamento, descreve-o em detalhes denunciando a farsa de que Jan Bata, agora cidadão brasileiro, fora vítima. O governo brasileiro protesta na pessoa do Secretário Geral do Ministério de Relações Exteriores, embaixador Hildebrando Accioly ao governo tcheco, solicitando que o cidadão brasileiro Jan Antonín Bata seja julgado de acordo com as leis e praxes internacionais, ação que não teve seqüência.

Mesmo assim, ainda reune todas as forças - forças de um gênio, sem dúvida – para se lançar à obra gigantesca de colonizar as regiões Oeste de São Paulo e Sudeste de Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul, resultando desse trabalho quatro cidades: Batatuba e Mariápolis no Estado de São Paulo e no Estado do Mato Grosso do Sul , Bataguassú e Batayporã.
Jan Bata assentou 100.000 pessoas em 300.000 hectares de terra de sua propriedade.
No Brasil Jan Antonín Bata é constantemente assediado e perseguido, tendo muitas vezes que se submeter a situações humilhantes, criadas por seus adversários, principalmente seu sobrinho, Tomas Bata Jr. , filho do querido irmão Tomás de quem tem o mesmo nome.

O sobrinho Tomás Jr. viaja para a Tchecoslováquia, já sob o govêrno comunista totalitário, com patente militar britânica numa missão empresarial canadense e norte-americana. Encontra-se com o Ministro da Industria tcheco e consegue que os documentos que provam a titularidade de Jan Bata nas empresas seja escondido. Ironicamente o seqüestro dos documentos mais importantes para a defesa de Jan Bata é conveniente a dois governos ideológicamente antagônicos: Americano e o totalitário Tcheco. Assim, com toda segurança Tomás Bata Jr e sua mãe Marie Batová, o irmão dela Alexander Mencik e ainda Dominik Cipera, todos pessoas da absoluta confiança de Jan Bata, o traem testemunhando contra ele nas diversas ações nos Estados Unidos. Cometem perjúrio ao negar terem conhecimento de documentos quer como beneficiários, quer como concordantes ou como testemunhas.

Assim Jan foi alijado de todos os recursos financeiros próprios obtidos ao longo de 30 anos de trabalho denodado, através de ações judiciais vitoriosas à custa de fraude e perjúrio ,com a conivência criminosa dos governos de países como a Suíssa, Inglaterra e Estados Unidos.

Em 1962, 21 anos depois, Jan Bata cede ao implacável cerco financeiro. Literalmente coagido pelo sobrinho Tomás Bata a assinar um “acordo“, é obrigado abrir mão de seus direitos em favor do sobrinho por uma quantia simbólica. Os termos do acordo acabaram sendo descumpridos pelo sobrinho assim como também parte referente ao pagamento do valor acordado.

Em 23 de agosto de 1965 Jan Bata falece no hospital Beneficência Portuguesa em São Paulo, após o oitavo enfarte.

É feito o translado para Batatuba. Já passa das 23 horas e apesar da noite fria, os dois lados da estrada, desde a capelinha até o acesso à residência de Jan, as pessoas que vieram de longe, se perfilam e acenam, se agrupam e num techo até sua casa, carinhosamente atiram flores para "o Dr. Bata passar" pela última vez.

Os sonoros toques secos de sua pequena máquina de escrever cessam. Foram escritos cinquenta e oito livros, ainda inéditos, entre romances e poemas . A laboriosa lapiseira Parker, companheira de seus pensamentos, registra o último deles: "Apesar da fraude e do perjúrio, a verdade virá à tona como o óleo sobre a água".

No ano de 2007, precisamente sessenta anos após a condenação de Jan Antonín Bata, por iniciativa da atual Cidade Estatutária de Zlín, é inaugurada uma estátua em homenagem a ele, assim como seu trabalho é apresentado numa grande Conferência, que mobiliza toda a imprensa do país.

No dia 25 de junho de 2007, a sentença que o havia condenado em 1947 é anulada e em 15 de novembro do mesmo ano Jan Antonín Bata é finalmente reabilitado. Como havia preconizado em seu leito de morte 42 anos antes, a verdade veio à tona como o óleo sobre a água...

Fonte: Centro de Memória Jindrich Trachta - Batayporã









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Jan Antonin bata e o sobrinho Janan Tomasem em 1938. A colônia paulista de Piracaia (Batatuba). Relatório da colônia paulista de Mariapolis. Vila de funcionários em Zlin, Checoslováquia. Bata observa o projeto do Aerodome. Vila de funcionários em Praga.

Colonização em Mato Grosso do Sul

(...) Inspirados nos processos de colonização desenvolvidos no Estado de São Paulo e Paraná, as empresas colonizadoras compraram terras do antigo Estado Mato Grosso, e também de particulares desenvolvendo colônias de 20 a 30 hectares servidas de algumas redes de estradas que interligavam alguns centros comerciais. Os negócios eram efetuados a base de uma entrada na faixa de 30 a 40% do valor do imóvel e o restante era dividido em três anuidades. Além desses aspectos, a riqueza empírica possibilita vislumbres para outras abordagens. Empreendimentos dessa natureza foram verificados como no exemplo da Companhia Viação São Paulo/Mato Grosso de propriedade do tcheco Jan Antonin Bata que adquiriu 6.000 km2 de terras situadas nos atuais municípios de Batayporã, Anaurilândia e Bataguassú. A intenção desse colonizador era o de produzir no espaço geográfico colonizado, uma cidade, porque entendia ele que os homens precisavam um do outro, os dois de um terceiro, e os três de um quarto, constituindo uma unidade comunal a partir de uma unidade rural. Para ele essa unidade comunal é representada pela cidade que poderia ser de vários tamanhos, mas a sua experiência como industrial em planejar uma cidade sem limites, como quando formou a primeira cidade industrial na Alemanha, significou prejuízos inimagináveis. Esta experiência demonstrou que existe um limite mínimo de população para uma unidade comunal oferecer melhores resultados, que estariam em torno da quantidade de no mínimo 10.000 pessoas. Essa conclusão fez Jan Bata verificar que o planejamento de uma cidade tem que partir desse número mínimo de habitantes, isso tendo em vista atender na época parte dos 30 milhões de europeus deslocados e desempregados que consumiam 12 bilhões de dólares anuais dos governos, incluídos nesse valor a ajuda dos Estados Unidos de 6 bilhões de dólares mais outros 6 bilhões dos governos de países como Grã Bretanha, França, Itália, Alemanha, Suíça, Suécia, Holanda, Noruega, Bélgica, Espanha, Portugal, Áustria, Dinamarca e Irlanda. Conclui Jan Bata:

Com os 12 bilhões de dólares despendidos anualmente em subvenções da miséria e desemprego, poderíamos migrar anualmente, 12 milhões de deslocados e desempregados para os países vazios, tornando-os capitalistas firmes e entusiasmados. No entanto, perdendo na Europa os 12 bilhões de dólares que os capitalistas americanos e europeus, finalmente os capitalistas de todo o mundo livre, têm de pagar em impostos, só estamos trabalhando para a finalidade dos comunistas, que resultam dessa nossa falha em encontrarmos o caminho para o futuro do nosso sistema Cristão-Capitalista...”

Segundo Bata:
“Cada nação tem um contingente de 2% que necessitam de misericórdia, mas 98% se revoltam por estarem sujeitos as esmolas, que degradam aqueles como se fossem aleijados, incapazes de providenciar o necessário para si e suas famílias.

Jan Antonin Bata, inspirado nas idéias de Henry Ford, que sugeriu a realização de experiências com sitiantes-operários-industriais, desenvolvendo um operariado mixto industrial-agrário, despertou-lhe a possibilidade de desenvolver este projeto tanto em Indiana como em Batatuba. Ao regressar para o Brasil Jan Bata desenvolveu um modo de colonizar que envolvia os operários industriais propiciando-lhes conhecer também o trabalho agrícola, essa experiência ele desenvolveu nas suas indústrias de sapatos instaladas em Batatuba e Indiana no Estado de São Paulo, algumas dificuldades foram encontradas, tais como: os terrenos ao redor de Batatuba e Indiana pertencerem a grandes e pequenos fazendeiros, que exigiam preços elevados para vende-los. Nesse tipo de empreendimento, uma família com 7 pessoas seria assim distribuída, uma pessoa poderia cuidar de um hectare de terra, trabalhando toda semana nessa tarefa, para 4 hectares seriam necessários 4 pessoas para cuidar da plantação e da pecuária, enquanto pelos menos os 3 restantes trabalhariam na fábrica. No caso de uma família com 8 pessoas, 4 ou 5 trabalhariam na fábrica e aproveitariam a parte da tarde para se dedicar ao cuidado adicional da plantação e criação.
A colonização do tipo mixta agro-industrial proposta por Jan Bata, exigiria investimento em infra-estrutura na parte de transportes, escolas, mercados e industrias e terras agricultáveis. A vantagem da colonização mixta, baseada na indústria, é a de que os colonos neste caso já têm o emprego, que nas zonas novas seria necessário organizar e construir. Isso favorece ao colono agro-industrial começar a organizar sua vida empregado, sem a necessidade de esperar até a colheita para o seu sustento, outra vantagem é que o mercado para seus produtos agrícolas já esta assegurado na praça da fábrica ou nos mercados da vizinhança, no caso de Batatuba a proximidade com São Paulo e no caso de Indiana a proximidade com Presidente Prudente

Bataguassu e Batayporã

Em 1932, Jan Antonio Bata, proprietário da cia. Viação São Paulo Mato Grosso, adquiriu, na região, grande gleba de terra, destinada a pecuária e colonização. Em 1941, fixou-se a companhia, na região e em 1943, o colonizador decide implantar o núcleo da colonização às margens do Rio Pardo. O primeiro nome da cidade seria Batápolis, mas sem uma base de sustentação política que desse condições para implantar o projeto, ele não prosperou. Jan Bata decide mudar o local para sediar o núcleo do Projeto e escolhe uma outra área na Gleba às margens dos rios Paraná e Pardo onde se ergue a cidade de Bataguassú e procedeu-se o loteamento de uma área, destinada a criar uma nova povoação, dando origem a atual sede do município. Foi elevado a distrito pela resolução número 611, de 10.07.1952 e o município foi criado pela lei 683, de 11.12.1953. Comemora-se sua emancipação política * dia 11 de dezembro. Um relato escrito pelo Tenente Nelson V. de Oliveira, genro de Jan Antonin Bata, narra a história de Bataguassu:

Em época não muito distante se ouvia falar de Mato Grosso como um espantalho, onde o homem dificilmente poderia chegar, dadas as presumíveis dificuldades criadas pela imaginação humana. (...) Era preciso (...)” curar “a imaginação já contaminada pelas más informações”. Eis a difícil tarefa da Cia Viação São Paulo Mato Grosso, a mais antiga empresa colonizadora que, orientada por homens dinâmicos e empreendedores, espalhou a vida e o progresso pela Alta Sorocabana e em cujo programa de trabalho marcava o desenvolvimento da Colonização no Sul de Mato Grosso onde é possuidora de vasta extensão territorial. Foi assim que surgiram nos seus escritórios os primeiros estudos para o inicio desse trabalho e em pouco tempo chegou-se à conclusão de que um ponto de apoio, uma base deveria ser estabelecida para a concretização de tão vasto plano colonizador. Esse ponto de apoio ficou determinado seria um local de fácil acesso, numa zona saudável, rodeada de boas terras para cultura e com boa colocação para uma possível indústria. Ouvindo falar de inicio da colonização de Mato Grosso, acorreram aos escritórios da Cia dezenas de colonos que disputavam a aquisição de seus lotes. Desse modo, em um ano foram vendidos 4.500 hectares de terras a pequenos lavradores. Estradas foram rasgadas, casas construídas e uma igreja edificada; uma professora começou a ensinar a criançada da redondeza as primeiras letras; um armazém foi instalado; apareceu uma pensão;um campo de futebol e assim surgiu Bataguassú, a futura rainha do sul de Mato Grosso” - (Ordem e Progresso:Indiana, Maio/1950 nº26)

Fruto de um projeto de colonização do industrial checo Dr.Jan Antonin Bata (fundador e idealizador de mais de 80 cidades por todo mundo) ; ocupa as terras que pertenciam a Cia. de Viação SP/MT adquiridas por Jan Bata em 1921. A implantação do projeto que culminou com a criação da cidade tem inicio no ano de 1953 na então fazenda samambaia que foi dividida num conjunto de lotes denominados de Iguassú, Cayuás, Machado e Recanto (hoje Batayporã), onde Jan Bata contou com grandes colaboradores tais como Vladimir Kubik (Gerente Geral da Cia. Viação SP/MT) encarregado de escolher o lugar do futuro núcleo de colonização e providenciar a venda dos lotes já esquadrinhados no mapa das grandes glebas. Jindrich Trachta (gerente do núcleo de colonização da Fazenda Samambaia, hoje Batayporã) conhece em 14 de maio de 1950 o colonizador Jan Bata que o convida para trabalhar em Bataguassú onde é apresentado ao Sr. Nelson Verlangieri D’Oliveira (braço direito e genro de Jan Antonin Bata), sendo contratado para trabalhar na Companhia Viação São Paulo Mato Grosso em serviços como extração de madeira, olaria, serraria e contabilidade. Em 1951 ocorre o seu casamento com Dona Marina Gonçalves do Amaral, continuam morando em Bataguassú até 1954, quando mudam para Batayporã, passando a gerenciar esse novo núcleo de colonização Os planos de Jan Bata eram fundar mais duas cidades, Batarama e Kennedy, próximas de onde hoje se localiza a cidade de Taquarussú.
As primeiras pessoas a se instalarem na região foram, Venancio Rodrigues de Abreu e sua esposa Luciana Rodrigues de Abreu (que eram capataz da fazenda samambaia da Cia de Viação SP/MT).Em 14/12/1953 foi a criação do distrito e no dia 12 de novembro é comemorada sua emancipação política. Primeira família a se instalar na futura cidade. Sr. Mohamed Mustafá e D. Antonia Spinosa Mustafá. Primeiro comércio, Bar do Sr. Jonas Pedro Nunes. Segundo alguns levantamentos não houve criação de distrito e o município foi criado pela lei número 1.967, de 12.11.1963. No dia 12 de novembro é comemorada sua emancipação política.

A quantidade de habitantes colocados nas Glebas e Patrimônios da Companhia de Viação São Paulo-Mato Grosso, nos Estados de São Paulo e Mato Grosso foi : Prudentina, 2.500; Regente Feijó, 19.000; Indiana, 6.500, Sucuri, 800; Caiabú, 1.500; Ouro Branco, 1.200; Boa Esperança D´Oeste, 100; Boa Esperança, 300; Mariapolis, 10.000; Vila Alegrete, 3.500; Mandaguary, 800; Jacaré, 800; Carrapicho, 9.500; Anhumas, 5.000; Laranja Doce, 1.000; Olaria Barrinha, 350; Olaria Bartira, 200; Formoso e Rancharia, 200; Celeste, 800 e Batatuba, 650, todas no Estado de São Paulo e no Estado de Mato Grosso em Bataguassú instalaram-se 3.000 habitantes".

Luiz Carlos Batista, Carlos Martins Júnior, José Carlos Ziliani – UFMS - “Resgate e construção da memória e da história da colonização do sudeste de Mato Grosso do Sul”


O Dossiê Bata

Um rumoroso caso de disputa comercial familiar tendo como cenário a II Guerra Mundial e a Cortina de Ferro no leste europeu.


Exmo. Senhor Celso Amorim
Ministro das Relações Exteriores do Brasil
Palácio Itamaraty - Esplanada dos Ministérios - Bloco H
70170-900 Brasília/DF - BRASIL

Krásná Lípa, 29 de Dezembro de 2003

Excelentíssimo Senhor Ministro, resultou dirigir-se à Vossa Excelência num caso tocando imediatamente ao Brasil, República Tcheca e também às relações entre nossas países. Êste caso merece, a meu ver, uma atenção extraordinária, bem que os acontecimentos respectivos passaram-se já antes algumas dezenas dos anos. O embaixador do Brasil em Praga senhor Affonso Massot informou-me, que sua autoridade “não dispõe de competência legal nem de recursos para pronunciar-se ou interferir” neste assunto. Por esta razão agora trato directamente Vossa Excelência.

Trata-se do caso de Dr. h. c. Jan Antonin Bata, do proprietário antigo do consórcio sapateiro mundial Bata com original sede na cidade tchecoslovaco Zlin e um naturalizado cidadão brasileiro de 1947. No mesmo ano foi Jan Bata condenado por tchecoslovaco extraordinário Juízo Nacional no processo provadamente encenado pela inventada colaboração com nazistas, apesar de sabemos e podemos provar, que êle significantemente fomentou o movimento da resistência e os membros do govêrno tchecoslovaco em Londres por intermédio de sua atitude moral e sobretudo por grandes recursos financeiros.

Estimulação e decurso no processo dêle foram um resultado de muitas circunstâncias –

(1) do esforço do subido poder totalitário para evitar um pagamento das grandes indenizacões pelas emprezas confiscadas,
(2) da ânsia vingar-se pelas atitudes anti-comunistas de Jan Bata antes da Segunda Guerra Mundial,
(3) dos interesses concorrentes,
(4) das animosidades pessoais dos alguns políticos tchecos, inglêses e americanos, cuja consequência prática foi uma inscrição do nome de Jan Bata na lista negra dos Aliados no tempo da guerra e, enfim,
(5) dos ambições para usurpar a propriedade do condenado por alguns membros da família Bata, os quais o subido poder comunista comprovou utilizar com habilidade em seu benefício. Tudo isto podemos documentar.

Jan Bata morreu em 23 de agôsto de 1965, depois de uma série dos litígios cansativos contra seu sobrinho Tomás Bata Jr. (que vive até agora em Canadá), em cujo favor entregou-se, empurrado pelo esgotamento e doença, dos restantes direitos proprietários às suas empresas. Uma influência principal nos resultados dos casos judiciais tinham ações do tchecoslovaco serviço secreto de informações (StB) com um objetivo claro – evitar à indenização pela propriedade confiscada. Apesar disto todo Jan Bata comprovou construir algumas cidades industriais e colônias agrícolas (Batatuba, Mariapolis, Indiana, Bataguassú, Batayporã) e começar uma colonisação dos regiões inabitados no Estado de Mato Grosso. Queria comemorar, que Jan Bata, por suas atividades junto ao desenvolvimento de povoação, foi proposto em 1957 como brasileiro ao Prêmio Nobel de Paz.

Um fato indignado é, que Jan Bata não viveu para ver nenhuma justiça. Seu nome foi tirado dos manuais da história e também da mente da gente não só na terra natal. Depois passavam dezenas dos anos longos, até que as ditaduras bolchevistas em Europa Central e Oriental desmoronaram-se.

Até em 1993 puderam as três filhas sobreviventes do industrial tcheco-brasileiro dar uma queixa por infração da lei no caso de Jan Bata, por intermédio do Procurador Geral da República Tcheca, ao Juízo Altíssimo.

Depois de mais que um ano o Senado do Juízo Altíssimo Tcheco discutiu êste impulso – e recusou. A razão disto não se referiu da substância do caso. Por sentença do Juízo Altíssimo de 1994 a contemporânea legislação tcheca não permite tal queixa a respeito dos julgamentos do Juízo Nacional, que funcionava só nos anos 1945 – 1947 como um tribunal extraordinário. Êstes textos tenho à disposição, tal como contatos com algumas pessoas importantes, p. ex. Edita Bata de Oliveira (filha de Jan Bata, que vive de 1941 no Brasil em Presidente Prudente) ou antigo Procurador Geral da República Tcheca. Não queria aqui amontoar seguintes pormenores. Talvez Vossa Excelência já considere: „Muito interessante..., pois que quer-me dizer êsse homem?“

Os descendentes de Jan Bata não desejam já nada mais que limpar o nome do pai na terra de seu origem. Pois êle está aqui até hoje um criminoso – apesar de que criminoso foi pelo contrário seu condenação. As ações realizadas até agora não deram os resultados palpáveis, porque a lei penal tem nenhum instrumento pelo que seria possível mudar uma sentença do juízo extraordinário, apesar de violação flagrante das leis vigentes nêsse tempo. Segundo da expressão do Juízo Altíssimo uma esperança talvez forneça somente o restabelecimento do processo. Em tal caso podemos esperar ainda muitos anos, mas pessoas mais importantes já estão velhas... quanto tempo resta-lhes? Outra possibilidade teórica seria talvez uma aceitação de uma nova norma jurídica para permitir revocação da sentença escandalosa do Juízo Nacional de 1947.

Traduzi ocasionalmente alguns textos portuguêses para o tcheco. No ano passado recebeu de Sra. Edita Bata de Oliveira um livro de um autor brasileiro Francisco Moacir Arcanjo “O mundo compreenderá; a história de Jan A. Bata – o Rei do Sapato”, que estivera editado no Brasil em 1952, então no tempo da vida de Jan Bata. Seu valor portanto, além de alguns novos fatos, consiste no seu autenticidade, bem que o livro às vezes atravessa de uma forma documentária numa romanesca. Este livro traduzi com uma ardência descomunal. Isto foi um princípio do meu interesse sistemático sobre o caso de Jan Bata.

Na fase actual procuro recursos suficientes para edição dêste livro, cujos custos, com utilização de uma firme encadernação e tiragem de 2000 exemplares, elevarem-se à importância de 120 000 CZK (cerca de 14000 BRL). Com esta objetivo providenciei nos passados meses uma licença editorial. Como um professor de uma escola secundária não disponho, porém, dos livres recursos financeiros. Eu seria muito agradecido, se a segunda pátria de Jan Bata decidisse fomentar a edição do livro sobredito e expressar deste modo seu interesse sobre uma lembrança e honra de seu cidadão notável. Percebo êste meu procedimento como algo desconforme, mas absolutamente correto. Os doadores estiverem, com uma permissão dêles, nomeados no livro, cuja edição seria ótimo realizar na primavera de 2004. O livro editado com o apoio do Brasil daria um sinal eminente aos Tchecos.

Eu queria também lembrar o caso de Jan Bata ao público tcheco pela série de uns artigos nos jornais convenientes etc. Neste assunto dirigi-me a alguns políticos tchecos, mas na sua maior parte encontrei-me com evasivas. Suponho, que uma adequada atividade diplomática da parte brasileira possa ter uma importância considerável (p. ex. os americanos nem inglêses nunca explicaram suas inscrições do nome de Jan Bata nas listas negras). Se Vossa Excelência manifestasse seu interesse sobre os documentos disponíveis, eu concederia-lhes com prazer e acolheria cada ocasião para tratar dêste assunto por intermédio da embaixada brasileira em Praga.

Agradecendo, previamente, pelo auxílio e aproveito a oportunidade para apresentar os meus protestos de estima e consideração.

Dr. Marek Belza
Presidente Prudente, Brasil, 14 de Setembro de 2004


Alerta às pessoas de bem

Nesta altura de minha vida, eu, aos 83 anos de idade, sobrevivente a três intervenções cirúrgicas e a um infarto, por conta do meu velho coração indignado, e minha esposa Edita, aos 79 anos, sentimos a obrigação de publicar este alerta, sob a forma de uma carta aberta, para todas as pessoas de bem que têm negócios com o sr. Tomas J. Bata, também conhecido como Tomas Bata Jr. Serve também àquelas pessoas que convivem com esse negociante em seu círculo de relações de amizade, sociais e até mesmo aos que trabalham para suas empresas.

O texto explica a necessidade desse alerta.

Sr. Tomas J. Bata ou Tomas Bata Jr., antes de mais nada, é absolutamente necessário caracterizar e identificar claramente V. nome, para que não seja o mesmo confundido com o nome de V. honrado pai, Tomas Bata, o verdadeiro Tomas Bata, um Homem ( com H maiúsculo ), detentor de todas as qualidades de pessoas de bem, de grande empreendedor, de líder nato, dotado de raras, imensas e excepcionais qualidades. Lamentavelmente, ter o sr. herdado de V. pai esse nome, não lhe garantiu a sorte de herdar, também, qualquer dessas qualidades. Pior do que isso, não foi suficiente para lhe conceder a felicidade de assimilar os bons exemplos, as virtudes e o caráter de V. pai. Ao contrário, trouxeram-lhe as características menos nobres e o comportamento menos ético e moral do outro ramo de V. família, aqueles muito bem demonstrados nos processos que V. mãe, Marie Batova, com a cumplicidade familiar de V. tio, Alexandre Mencik, e com V. participação entusiasmada e totalmente em desacordo aos ensinamentos de V. pai, moveram contra V. tio, Jan Antonin Bata, meio irmão de Tomas Bata, do verdadeiro Tomas Bata, criador da Organização Mundial Bata, com a filosofia de trabalho invejável e inexistente em qualquer outra parte do mundo, aquela mesma filosofia que V. tio Jan Antonin Bata manteve e ampliou e que V. administração, exclusivamente de V. responsabilidade, baniu da Organização. O verdadeiro Tomas Bata não conseguiu fazer o sr., seu único filho, assimilar essa maravilhosa filosofia de trabalho e, consciente de que não conseguiria moldá-lo como seu substituto e de que o sr. jamais teria a estatura ética, moral e profissional necessária para levar tal trabalho adiante, idealizou um outro planejamento.

Pode parecer estranho a muitos a escolha que o verdadeiro Tomas Bata fez, ao buscar em seu irmão Jan Antonin Bata seu substituto e continuador de sua grandiosa obra. Hoje está provado que ele teve também essa qualidade, a de identificar a ausência de capacidades e qualidades em seu filho e, de forma não usual, escolher aquele em quem viu todas essas qualidades, necessárias para a continuação e o desenvolvimento dessa obra, quando viesse a faltar, e que, depois dos deploráveis acontecimentos que permitiram ao sr. a inusitada conquista dessa mesma Organização, hoje desvendados, acabaram sendo banidos pela V. exclusiva e limitada capacidade. V. pai fez de Jan Antonin Bata seu braço direito, educou-o, preparou-o, e nisso foi muito feliz, porque soube encontrar nele também outro Homem com H maiúsculo, com estatura moral, ética e profissional equivalente à sua própria. V. pai conhecia bem do que seria capaz o sr., seu único filho, e procurou poupar a obra de sua vida dos problemas que seguramente vislumbrava, se a Organização viesse a estar sob V. comando. As manifestações públicas de V. pai, como, por exemplo, a história do violino – que ele manifestou claramente que “caberia àquele que melhor soubesse tocá-lo” – e o sr., que sempre desafinou e perdeu o compasso da música da orquestra Bata, comprovou que a preocupação de V. pai era correta. Também se manifestou nas declarações sobre a herança, ao dizer claramente que seu filho não herdaria nada mais do que aquilo que fosse capaz de construir, porque sabia que havia necessidade de um construtor de empresas e de negócios, e o sr., seu único descendente, estava longe, muito longe disso.

Americanos, ingleses e o governo tcheco do “presidente” Benes souberam escolher bem a pessoa a ser colocada à frente da Organização Bata, para atender única e exclusivamente aos interesses deles: escolheram o sr. Isto para que não houvesse mais um Jan Bata, “aquele leão, com quem as indústrias sapateiras americana e inglesa não conseguiam competir”, e que deveria ser destruído a qualquer custo, segundo os cabogramas secretos trocados entre as autoridades desses países. O sr. foi a escolha ideal, pois já havia demonstrado às “autoridades” daqueles países que: (a) não tinha o perfil para comandar, tanto que V. pai não o escolheu, preferindo vender a Organização ao irmão Jan, através do Contrato de Venda e Compra, confirmado no testamento do verdadeiro Tomas Bata, ambos esses documentos guardados no cofre de V. pai, cuja abertura V. mãe e o sr. presenciaram e cujo protocolo de abertura ela assinou, juntamente com as testemunhas, Alexandre Mencik, Hugo Vavrecka. Dominik Cipera e com o notário Hugo Foerster. Posteriormente, V. mãe e o sr. concordaram com tudo, através das duas correspondências que ambos assinaram e encaminharam, a primeira, datada de 06/06/1933, ao Ministério das Finanças da Tchecoslováquia, onde reconheceram o Contrato de Venda e Compra celebrado em 10/05/1931, entre V. pai e V. tio Jan, e a segunda, datada de 08/06/1933, à Corte Distrital de Zlin, onde ambos, V. mãe e o Sr., se apresentavam como herdeiros legais dos bens deixados por V. pai e habilitavam-se ao espólio. Não se pode deixar de mencionar, também, o Protocolo de 23/06/1933, em que a Corte de Zlin procedeu oficialmente à entrega do espólio de Tomas Bata, do verdadeiro Tomas Bata, a V. mãe e ao sr., sendo que, do valor de vinte milhões de coroas tchecas que V. pai legou ao Sr., e que eram parte das cinquenta milhões de coroas tchecas que V. pai menciona em seu testamento, como sendo o crédito que tinha com Jan Antonin Bata, pela venda da Organização, o sr., mesmo alegando muito mais tarde que o testamento de V. pai não era válido ou que não existia, usou a maior parte desse dinheiro, o qual lhe foi pago por Jan Antonin Bata, restando ao final pouco mais de hum milhão de coroas para serem retiradas. Mas V. assessoria legal alertou ao sr. de que a retirada desse saldo seria um erro estratégico, pois confirmaria que o testamento de V. pai existira, era legal, havia sido aceito por V. mãe e pelo sr. e que as decisões das Cortes estrangeiras eram ilegais e o sr. resolveu não mais retirar esse valor; (b) mas, em compensação, o sr. tinha o perfil conveniente a eles, americanos e ingleses, como demonstrado quando induziu o velho e doente Frank Muska a, de boa fé, acreditando estar tratando com uma pessoa de confiança de Jan. A. Bata ( que era mantido incomunicável no Brasil, por seus algozes, dirigentes dos governos inglês e americano ), entregar ao sr., bens que pertenciam à empresa Leader A.G. ( portanto, a Jan Bata ), no caso ouro e dinheiro. Mas o segredo sobre as 826 ações, bem como a chave secreta do cofre do banco onde elas estavam guardadas, segredos esses que só Muska e Jan Bata sabiam, isso o sr. não conseguiu arrancar daquele tcheco leal e bem intencionado, e isso fica claro nas alegações iniciais do juiz americano Schreiber, no processo que o sr. e V. mãe moveram contra o espólio de Frank Muska em Nova York e onde ele esclarece como foi possível ao sr. iniciar a ação contra V. tio Jan Bata, ao afirmar: “o administrador dos bens de Frank Muska, que juntamente com o Chase Safe Deposit Company, foi um réu na ação de depósito para recuperação, obteve uma ordem trazendo Jan Bata, o meio irmão de Tomas Bata, à ação, como autor rival”. Prova de que nem o sr. nem V. mãe sabiam onde Jan Bata guardava essas 826 e as outras 1170 ações da Leader A.G. E por que deveriam saber? Afinal o sr. e V. mãe entregaram a Jan Bata toda a Organização Mundial Bata, inclusive as ações da Leader A.G., obedecendo a vontade de V. pai, o verdadeiro Tomas Bata, e respeitando integralmente a lei tcheca que, muitos anos depois, os srs. fizeram questão de desrespeitar e ridicularizar, arrancando de um juiz americano um julgamento sobre uma questão decidida pela lei tcheca, como se as leis e costumes do país onde o sr. nasceu fossem de segunda classe. E mesmo nos Estados Unidos, onde os srs. conseguiram uma vitória muito apertada no Tribunal de Recursos de Nova York, pois Jan Bata obteve 2 dos 5 votos, para V. refrescar a memória, um dos 3 votos a V. favor, o do juiz Froessel, foi concluído da seguinte forma: “Alega-se que as ações da Leader passaram para Jan em conseqüência do comportamento de Tomik ( o sr. ) e de Marie ( V. mãe ), como parte do espólio de trinta ou quarenta milhões de dólares. Muitas das provas apresentadas neste processo se ligam a esta afirmação. NÃO CONSIDERAMOS DE UTILIDADE ANALISAR DETALHADAMENTE ESTAS PROVAS. CONSIDERAMOS SUFICIENTE QUE NÃO FOI APRESENTADA PROVA SOBRE ALGUM RECONHECIMENTO DE MARIE OU DE TOMIK, COM O QUE ESTA OPINIÃO SERIA COMPROVADA” . O sr. sabe que esta prova existe, está em poder de várias pessoas da família no Brasil e nos Estados Unidos e, por segurança, com terceiros amigos, e que ela não foi apresentada nas Cortes porque , na época do julgamento, estava retida na Tchecoslováquia, de forma que Jan Bata e seus advogados ficassem impedidos de a ela terem acesso. Trata-se da “carta assinada em 06/06/1933, pela viúva Marie Batova e por seu filho, Tomas Bata, já emancipado, endereçada ao Ministério das Finanças, na qual ambos reconhecem o contrato de venda e compra celebrado em 10/05/1931, como legal e legítimo, sem ter contra o mesmo nenhuma reclamação”. Com este documento, o voto do juiz Froessel seguramente seria a favor de Jan Bata e o sr. teria sido derrotado por 3 votos a 2; (c) o sr. estava disposto a tudo, porque já havia declarado nos tribunais, faltando com a verdade, que não existia o documento assinado por V. mãe e pelos demais colaboradores de Jan Bata, onde todos afirmaram que as ações da Bata A.S.Zlin, que lhes foram passadas, o foram apenas para resolver o problema causado pela ocupação alemã e seriam devolvidas a Jan Bata após a guerra, conforme o recibo assinado por V. mãe, que recebeu 25%, e pelos cinco demais diretores, cada um tendo recebido 7%. Aliás, o sr. seguramente se lembra, e o mundo deve tomar conhecimento, de que, em junho de 1945, o sr. foi à Tchecoslováquia, como oficial de informações de uma “escolta diplomática”, conforme consta da sentença do juiz Schreiber, publicada no jornal “The New York Law Journal”, de 24 de janeiro de 1950, tendo esse magistrado declarado nessa mesma sentença que ”enquanto estava lá entrevistou Foerster, o tabelião, acerca da propriedade do seu finado pai e providenciou para obter os papéis relativos aos bens do seu pai” – sendo que o tabelião Foerster é o autor do Protocolo de abertura do cofre de V. pai, protocolo esse que provava que o sr., V. mãe e V. tio, Alexandre Mencik, foram testemunhas de que as ações da Leader A.G. estavam nesse cofre, e esse protocolo nunca foi juntado ao processo que o juiz Schreiber julgou. Novamente aqui o sr. mostra que estava disposto a cometer qualquer irregularidade, perjúrio ou até mesmo crime, porque selecionou apenas os documentos que lhe permitiriam ter uma sentença favorável na ação movida contra Jan Bata, providenciando para que os outros documentos ( inclusive o Protocolo ), aqueles que dariam razão a Jan, e que hoje temos, todos eles, em nosso poder, permanecessem, como permaneceram, inacessíveis e escondidos atrás da Cortina de Ferro, até o sr. ter toda a Organização sob V. controle e V. tio esmagado sob o peso das mentiras, das traições, das falsas acusações e da impotência em continuar a lutar, o que acabou por lhe causar a morte prematura em 1965. Cabe ressaltar aqui a conveniente coincidência de que o Protocolo da abertura do cofre de V. pai, elaborado pelo dr. Hugo Foerster, um dos documentos aos quais V. tio não teve acesso enquanto viveu, e uma das principais provas a favor dele, estava arquivado, não junto com os demais documentos relativos à morte e testamento de Tomas Bata, do verdadeiro Tomas Bata, mas sim nos arquivos pessoais do dr. Hugo Foerster, como nos explicou o dr. Pokluda, diretor do Arquivo de Zlin, quando estivemos lá, em 1991. A ligação dos fatos é notória: o dr. Hugo Foerster, e não o diretor do arquivo de Zlin, foi a pessoa que o sr. procurou, conforme consta da sentença do juiz Schreiber. Foerster era sogro de Ferdinand Mencik, um de V. mais próximos colaboradores e filho do irmão de V. mãe, Alexandre Mencik, que também foi testemunha chave contra V. tio Jan – basta somar 2 + 2 e se chega às conclusões corretas; (d) o sr. achou a forma de obter a cumplicidade dos advogados de confiança de V. tio, do escritório suíço inicialmente comandado por Wettstein e, após a morte deste, por Jucker, até casando-se com a filha de Wettstein, a qual lhe trouxe como dote o escritório advocatício, de forma que esses advogados passassem a trabalhar contra o homem que os encontrou, que os apresentou a V. pai, o verdadeiro Tomas Bata, contra V. tio Jan Bata, o homem que ajudou a contratá-los, e, no container do dote estava cuidadosamente acondicionado o golpe da mais vil e desavergonhada traição desses advogados, até então ocupando posição de absoluta confiança de Jan Bata, os quais o novo casal soube, magistralmente, manipular; (e) o sr. passou a editar livros e dar falsas declarações sobre a Organização Bata onde, simplesmente, atropela a história e a verdade dos fatos e exclui o nome de Jan Bata da fase de maior expansão, crescimento e lucratividade das empresas, dando a entender, de forma vil e mentirosa, que foi o sr. quem sucedeu V. pai diretamente (o sr. ainda era menor de idade), nesse processo de verdadeira explosão de desenvolvimento – na ilusão de que “uma mentira contada insistentemente durante muito tempo, acaba se transformando em verdade”. Infelizmente para o sr., os fatos e documentos desmentem isso, para V. vergonha e a de V. familiares e colaboradores.

Nenhum desses colaboradores que, como o sr. traíram os ideais do verdadeiro Tomas Bata, apesar de terem sido testemunhas oculares de sua grandeza moral, ética e profissional, e que, ao permanecerem ao lado de uma pessoa como o sr., nos processos, acompanhando-o com suas assinaturas em testemunhos falsos e cometendo perjúrio, ajudando-o a forjar fatos, esconder provas, camuflar a história e perpetrar a maior e mais deplorável de todas as injustiças contra um homem que tratou o sr. como filho, como homem de confiança e como o colaborador mais próximo; nenhuma dessas pessoas honrou a memória do antigo chefe e todos atentaram contra tudo aquilo que o verdadeiro Tomas Bata pregou e disseminou por toda a Organização e para todos os seus colaboradores.

Nenhum, no entanto, foi pior do que o sr., que traiu a memória de V. próprio pai, o sr. que o acusou publicamente de cometer um crime de forjar a venda da empresa para V. tio, mesmo sabendo que essa venda era verdadeiramente a vontade soberana e lúcida do verdadeiro Tomas Bata. O sr. que, para manter essa acusação, cometeu perjúrio, junto com aqueles que permaneceram a V. lado nesse inexplicável atentado contra a lei soberana do país em que o sr. nasceu, permitindo que outros países contestassem, ridicularizassem e, inexplicavelmente até, anulassem judicialmente a legalidade dos procedimentos executados na então Tchecoslováquia, mesmo tendo consciência de que o sr. e V. mãe aceitaram tais procedimentos, assinaram os documentos que permaneceram inalcançáveis, atrás da Cortina de Ferro do governo comunista e os de seus continuadores, com o qual V. colaboradores e servidores se acertaram, tornando-os – esses documentos – inatingíveis para Jan Bata poder se defender e comprovar que tudo o que sempre afirmou nos julgamentos, era apenas e tão somente a verdade. Mas a verdade, escrita por Jan Bata em seu leito de morte, veio à superfície, como o óleo sobre a água, e os documentos que o sr. e v. mãe negaram existirem, existem, estão em nosso poder e ficarão registrados na história. E o sr., V. esposa e V. descendentes terão que se confrontar com essa verdade e com esses documentos e, pior, terão que explicar V. atos para as gerações que lhes seguirão e que hoje, talvez, sejam inocentes de V. atitudes e de V. comportamentos irresponsáveis. Mas a história fará justiça a Jan Antonin Bata em seu país natal e no resto do mundo.

Nós, que trabalhamos com ele por mais de vinte anos, ao seu lado, que trocamos com ele mais de oitocentas cartas, muitas delas violadas por V. círculo de assessores, muitas delas registrando a angústia e a decepção com que ele viu o trabalho da vida de seu irmão, o verdadeiro Tomas Bata e o seu próprio, serem tomados e deturpados de forma tão baixa e covarde, que sentimos a intromissão de V. escritório de advogados, atrapalhando, com declarações falsas, negócios com nossas propriedades em Mato Grosso, estas sem qualquer vínculo com as questões entre o sr. e Jan Bata, nós sempre nos sentimos honrados de estar ao lado dele, de sua causa e de sua memória, onde permaneceremos até o fim de nossas vidas.

Quanto ao sr., mais cedo ou mais tarde, V. vil memória será encaminhada ao lugar que lhe cabe por merecimento e direito, a lata de lixo da história, onde se encontram os homens com h minúsculo, a ranger seus dentes de raiva por sua pequenez ética e moral e a se arrepender pela eternidade pelo mal que causaram a pessoas ( no plural, porque se trata de Jan Antonin Bata, V. tio, Marie Batova, V. tia, de V. primos Maria, Ludmila e Jan Tomás e até de um dos netos de Jan, Jorge Bata Mitrovic, assim como os genros, Ljubisav Mitrovic, Ljubodrag Arambasic e Joseph Nash ) que morreram sem saborear o gosto do reconhecimento e do restabelecimento de sua honrada memória junto aos cidadãos, aos governantes e aos magistrados de sua pátria de origem, bem como os dos demais países onde o nome Bata é conhecido e, principalmente, os daqueles países onde Jan Bata foi atacado por V. mãe e pelo sr., da forma mais torpe e vergonhosa, como fica demonstrado nesta carta aberta. Tudo o que aqui está declarado, o sr. bem sabe, está devidamente documentado.

Mas há , também, um fato acontecido logo após a morte de V. tio Jan Bata, quando o sr. e V. esposa, Sonja, estiveram em Batatuba, na casa da família no Brasil: o sr. há de se lembrar, como se lembram as duas únicas testemunhas vivas daquele encontro, na sala de jantar da casa, V. primas, eu, Edita e minha irmã Hana, V. tia Marie, V. prima Ludmila e V. primo Jan Tomas estavam ainda vivos e presentes e ele se dirigiu ao sr. dizendo “ enquanto meu pai estava legalmente usufruindo a sua condição de dono e chefe da Organização Bata, poderia ter liquidado com você quantas vezes quisesse” ( como poderia ter acontecido quando o sr. tentou desobedecer uma ordem dele para transferir um funcionário do Canadá, onde o sr. era apenas o gerente, e não o fundador, como vem tentando fazer crer ), “mas não o fez, porque meu pai era um homem bom, justo e você era filho de seu irmão, que ele amava e admirava. Porém, quando você se viu no controle, atirou nele pelas costas, com ambos os canos de sua arma”. V. resposta, em tom de confissão, tentando justificar o injustificável, foi: “ e o que teria feito você no meu lugar?”. Apenas a justiça Divina poderá responder a V. pergunta e a V. atos.

Que Deus V. possa perdoar e, se isso for possível, aliviar a V. consciência.

Edita Batova de Oliveira e seu esposo, Cap.Fragata RRm. Nelson Verlangieri d’Oliveira

Nota editorial deste blog:

Atualmente existe na Europa e no país de origem de Jan Antonin Bata o renascimento e o resgate da memória do empresário que certamente estava muito à frente do seu tempo. Daí a incompreensão, as perseguições e os fracassos de muitos dos seus projetos. Mesmo assim, sua obra permaneceu intacta e influente como conceito e referência de inovação e empreendedorismo. Sua missão de fundar cidades, tal como acreditava, foi amplamente cumprida, mesmo que elas tenham tomado outros rumos dos projetos originais, pois existiram, geraram a cultura e a mentalidade progressista em todas as pessoas que alí nasceram, viveram e buscaram a felicidade. O Porto Tibiriçá e seu povo receberam muito dessa influência utópica batoviana. Tibiriçá não existe mais, mas sobrevive em nós como conceito de vida e sonho de um mundo melhor.

3 comentários:

  1. Olá! Interessante artigo, obrigado. Você sabe como eles podem ser contatados via e-mail com o Centro de Memória Jindrich Trachta em Batayporã? O site não funciona. Obrigado!

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    1. Ola

      Desculpe a demora para a resposta .
      Aqui esta o link, funcionando :)
      Qualquer coisa que queira saber sobe a Republica Tcheca, me contacte, pois morei la e minha esposa e nativa.


      Abraco.

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  2. Olá,meu nome é Cleber ,moro em Batatuba à 28 anos,sempre admirei as estruturas e desenvolvimento do sr.jan Bata, mas a história mesmo eu não conhecia ,pois,na escola não ensinaram,pena que nem os políticos de lá devem conhecer a história ,pois, Batatuba está esquecida por eles como a fábrica que vai si deteriorando a cada dia. É uma pena mesmo que o sonho de Jan Antonin Bata não si concretizou por ali , tinha tudo pra crescer , parabéns à vcs pela publicação linda história , abraço.

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